expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Patrocínio do comitê paralímpico no Brasil ainda é quase 100% público

Apesar de ter saltado 30 posições no ranking de medalhas desde 1992 e ter multiplicado por dez o número de medalhas de ouro, o esporte paralímpico brasileiro ainda tem dificuldade para conseguir apoio na iniciativa privada. Segundo o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, é de quase 100% a parcela de investimentos públicos dos cerca de R$ 80 milhões angariados em 2014 para patrocinar os atletas que vão representar o Brasil nos Jogos de 2016.

A principal fonte de financiamento do esporte paralímpico do Brasil é a Lei Agnelo/Piva, sancionada em 16 de julho de 2001, que prevê a destinação de 2% da arrecadação bruta das loterias federais em operação no país, descontadas as premiações, para os comitês olímpico e paralímpico. Nesse período, a arrecadação do Comitê Paralímpico aumentou de R$ 3 milhões para R$ 80 milhões, também com a contribuição da Caixa Econômica Federal, cujo patrocínio é a segunda maior fonte de renda do CPB.

Nas Paralimpíadas de Barcelona, em 1992, o Brasil ficou na 37ª posição, com duas medalhas de ouro, seis de prata e 13 de bronze. Desde então, o país subiu no ranking em todas as edições dos jogos, assumindo a 32ª posição em Atlanta, em 1996, a 24ª em Sidney, em 2000, a 14ª em Atenas, em 2004, a nona em Pequim, em 2008, e a sétima em Londres, em 2012. Na última edição dos Jogos Paralímpicos, os atletas brasileiros conquistaram 21 medalhas de ouro, 14 de prata e 8 de bronze.

O comitê tem como meta atingir a quinta colocação em 2016, mas isso significa ultrapassar países como os Estados Unidos e a Austrália, que têm muitos recursos para suas delegações.

Para o presidente do CPB, no Brasil, a iniciativa privada ainda não percebeu o potencial de patrocinar o esporte paralímpico. "Falta, talvez, a iniciativa privada entender o esporte paralímpico como um produto. Pode não ser fácil: o país ainda tem pessoas com preconceito contra a pessoa com deficiência, o que, na minha visão, é uma bobagem, pois 25 milhões de brasileiros pelo menos têm algum tipo de deficiência. A situação envolve uma parcela muito grande: pelo menos um terço do país vive diariamente a questão da pessoa com deficiência."

Segundo Parsons, não só os esportes paralímpicos têm dificuldades de obter apoio, mas também os olímpicos, já que o país tem uma cultura em que o futebol "é muito grande". No entanto, ele diz que o patrocínio pode ser uma forma de falar com um público amplo. "É um mercado consumidor muito grande para você se comunicar. As pessoas que gravitam nesse meio falam no celular, tomam refrigerante, têm banco. São consumidoras."

Parsons aposta que os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão uma boa oportunidade para manter parcerias, já que, em Londres, nove patrocinadores da competição mantiveram envolvimento com o esporte e passaram a patrocinar o Comitê Paralímpico. "Nossa meta não pode ser menor do que essa". Os jogos paralímpicos do Rio têm sete patrocinadores oficiais, quatro apoiadores e um patrocinador mundial.

Além de prepará-los para as competições, o comitê tem investido na formação dos atletas para falar com os meios de comunicação. "Estamos preparando-os para serem pessoas que se relacionam bem com os meios de comunicação, pessoas que sejam interessantes para que os patrocinadores se envolvam".

Nenhum comentário:

Postar um comentário